Quando comecei a correr devido ao convite de um amigo da faculdade, que não era influencer digital (contém ironia), eu simplesmente o segui, cada treino que ele me prescrevia (ainda utilizando só da experiência, pois estávamos cursando a faculdade), o que devia comer, roupa que utilizar, ele (Antonio Marcos) funcionou como meu mentor. Revisitando minhas anotações, eu ainda tenho tudo escrito à mão os treinos lá de 2005, 2006.
Depois já com a Assessoria, ou as pessoas nos procuravam (nós Treinadores), iam até a revista procurar informação e a pouco utilizada internet ou senão, continuavam atrás dos seus amigos, seguindo no caso as planilhas deles, pois como já existiam as Assessorias, um pegava o treino do outro e seguia aquele programa.
E agora em 2026? Agora tem Inteligência Artificial que programa de treino e te dá todas as dicas, tem aplicativo com treino pronto com programações prontas, tem o influencer digital que fala e te vende o produto, depois tem eu e meus colegas de Profissão que ainda funcionam como mentores mas já não somos os donos da razão ou que tem a melhor opinião sobre o assunto e por fim os amigos que já praticam a corrida (e que na minha opinião, são os verdadeiros influencers.
Onde quero chegar… os anteriores continuam existindo no mundo e tanto nós treinadores, quanto os amigos (em sua maioria) estão há mais tempo nas pistas, é óbvio que os novos meios de acesso à informação são mais rápidos, bonitos e só trarão a você aquilo que você deseja ouvir.
O conhecimento e o respeito àqueles que estão há tempo na estrada estão sendo atropelados pela necessidade de consumo imediato e no caso da corrida, causando um salto muito rápido especialmente em correr mais longe ou mais tempo do que a maioria deveria estar correndo, levando as pessoas a sentimentos ruins e aversão a tribo da corrida.
Necessidade de afirmação? Busca por prazer? Ego? Sadomasoquismo? Nunca saberemos, a internet não conta a verdade, quase nunca.
Eu e a maioria das pessoas fomos ensinadas a ouvir os mais antigos… fica a reflexão.