Sim e não, não e sim. Não, vou ficar em cima do muro, vem comigo na sua leitura semanal para entender.
Desde que a Nike inventou o Air Pegasus em 1983 as empresas inventam e reinventam tendências no mercado de corrida. Hora foi o Rainha sistem onde você trocava no calcanhar bolhas de amortecimento, depois do Mizuno Creation com molas gigantes, depois veio a Asics, vieram os tênis minimalistas, depois Adidas boost e por último e a mais impressionantes mudanças: as placas diversas: vidro, carbono, ouro, platina e tudo mais. rs
Lá atrás qual era a tese para vender mais tênis: USE minha marca e você não vai mais ter lesão! Evite lesões comprando com mais amortecimento, para você proteger seu joelho. Depois em meados de 2014 os minimalistas vieram e disseram: “não, tire toda espuma, correr descalço, ou com seu tênis mais baixo possível, para sentir o chão, esse salto alto dos tênis só prejudica”.
Agora, após pandemia então vieram as placas de carbono, junto já com uma ideia antiga, quanto mais leve o tênis, melhor. Para “caber” as placas, foi necessário colocar espuma, para receber o peso e distribuir com a ajuda da placa mais retorno de eficiência no passo, aumentando o comprimento dele e favorecendo sua corrida.
Cada 100g de redução gera 1% de economia de corrida. Cada corredor profissional evoluiu em suas marcas perto de 3% para um melhor tempo. Amadores, como eu tiveram melhoras em suas corridas de longa distância, por se sentirem menos cansados e conseguirem desenvolver ritmos superiores por mais tempo. Eu passei de 2012 com 2h53 para 2h47 em 2022 na Maratona.
Os estudos sobre lesão associadas a tênis com placa ainda são com pequenos grupos, sendo as de tendões a principal. Muito porque a maioria não tem técnica, não tem força e faz do tênis o principal amuleto para tentar melhorias em suas marcas.
*Voltamos nos textos das semanas anteriores: muita gente escolhendo o caminho mais rápido. e vocês lembram: “não tem atalho na corrida”.
Então o tênis de placa de carbono não é pra todo mundo? Se você se sente confortável com ele, use. Use como qualquer outro que te faça se sentir bem, porém (sempre tem um porém né?), saiba que antes de você escolher algo que vai te impulsionar e melhorar suas marcas, talvez você tenha que olhar para outras demandas físicas antes, em especial a do fortalecimento.
É como um jovem motorista comprar uma Ferrari, será que ele vai saber usar? Um piloto de avião recém-formado num Boing cargueiro, será que ele sabe pousar esse monstro? Então, será que eu devo priorizar a escolha de um super tênis de 2 mil reais ou devo gastar mais energia em ganhar força, aprimorar minha técnica, treinar mais forte, aumentar meu volume e depois sim, usar de todos os benefícios que ele me traz?
Pra finalizar: eu Murilo, prefiro usar tênis sem placa, aplicar força no solo, judiar do meu tendão calcâneo e patelar, gerar impacto e força, eu adapto meu corpo ao pior, para quando eu estiver pisando nas nuvens. Possa desenvolver todas as minhas valências físicas.
E você? O que pensa?